Entre livros, bisturis e tacos de golfe

Obstetra e golfista nas horas vagas, Francisco Furtado conta ao DOC Academy suas experiências com o golfe e os bons momentos proporcionados pelo esporte

 

Francisco Furtado sempre esteve envolvido com esportes. Nadou da infância ao início da vida adulta pelo Clube Curitibano, além de jogar e competir no futsal. Atualmente, é golfista e dedica as tardes de quarta e sexta-feira ao esporte, nos momentos em que se permite desvencilhar da atribulada rotina de obstetra. Segundo o médico, oito em cada dez pessoas que iniciam no golfe criam uma paixão que é mantida pelo resto da vida. O profissional acredita que todos precisam de momentos de lazer que destoem da trabalhosa rotina médica. Confira a entrevista.

 

DOC Academy – Como foi seu primeiro contato com o golfe e com que frequência você joga?

Francisco Furtado – Foi há dez anos, motivado pelo convite de amigos que são jogadores desde a adolescência. Por sempre ter sido desportista, aceitei o desafio de conhecer e acabei me apaixonando pelo esporte. Jogo três a quatro vezes por semana e participo de torneios amadores.

 

DOC Academy – O golfe não é um esporte tão popular no Brasil. De forma breve, como explicaria o funcionamento do jogo?

FF – Basicamente inicia-se com uma primeira tacada no time de saída, em um local específico pré-determinado. Cada buraco tem um par a ser cumprido e estabelecido, então os buracos têm números pares que equivalem ao número de tacadas feitas, desde o ponto de saída até o buraco que fica dentro do green (área demarcada com um determinado tipo de grama específica, particular de cada campo de golfe). Assim, existe uma série de situações em que se faz uso da estratégia e dos limites impostos pelo campo, já que há uma interação direta entre o jogador e o meio-ambiente, como um todo. Com o tempo, você desenvolve um planejamento estratégico que refletirá em seu jogo: como escolher o taco certo em função da temperatura, do vento, da chuva, de um clima seco ou úmido. É um jogo com regras, etiquetas e normas técnicas que são complexas e podem ter diferentes interpretações.

 

DOC Academy – Como conciliar a carreira médica com o esporte?

FF – Não é fácil, mas as prioridades devem ser estabelecidas e o esporte, para mim, assim como o lazer e o entretenimento, é tão importante quanto minha profissão. Logo, adequo minhas necessidades a meus afazeres e tarefas e reservo as tardes de quarta e sexta-feira ao golfe (eventualmente, os finais de semana, também).

 

DOC Academy – Você acredita que a prática do golfe influencia na maneira de praticar a Medicina de alguma forma?

FF – O golfe é um jogo em que se fica desnudo no campo: você pode jogar sozinho ou com duas, três ou quatro pessoas. À medida que realizamos as tacadas, o próprio jogador as enumera, ainda que os outros em campo tenham a percepção de quantas jogadas você deu para terminar o buraco. Então, se um jogador chega ao final do jogo e conta errado suas jogadas aos companheiros, de propósito, para tirar vantagem sobre os outros, acaba por ser discriminado, uma vez que a ética do golfe é pautada na honestidade e transparência. Ou seja, não se leva algo do golfe para a profissão, mas mostra-se nele o reflexo do profissional e da pessoa que você é, sua cultura, educação e os princípios aprendidos em casa. Por exemplo: em uma jogada de grande distância, quando se quer conquistar a bola de uma só tacada, posso mostrar que sou extremamente hábil ou que sou inconsequente, afoito e ganancioso. Na Medicina, ao estar sozinho com seu paciente, é igualmente necessária essa análise estratégica diária antes de arriscar algo.

 

Foto: Fabiana Guedes



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