Os desafios da sociedade hipercomunicativa

A sociedade vive um momento único, em que nos comunicamos como nunca e qualquer um tem o poder de se manifestar e falar o que bem entende. Em segundos, os pensamentos e ideais de um simples cidadão podem “viralizar” e ganhar dimensões inimagináveis há dez anos. Mas a mesma sociedade que tem um infinito de ferramentas, como o Facebook, Instagram, WhatsApp, SMS, celular, e-mail e tudo mais, tem se comunicado mal ou de forma ineficiente.

Em uma reunião avaliativa ocorrida há pouco tempo, ao tratar da área de comunicação, os associados de um cliente manifestaram que estavam satisfeitos com o departamento. Em uma segunda pergunta, mais de 70% responderam que não desejavam mais qualquer novo serviço da área de comunicação. Todos os executivos presentes “soltaram rojões” comemorando o sucesso coletivo, afinal, eles tinham uma revista mensal, informativos on-line diários, página na internet, mídias sociais, mensagens regulares com os associados por SMS e, praticamente, todos os recursos tecnológicos disponíveis para a comunicação.

Não satisfeito com o aparente sucesso, fui investigar o motivo de um índice tão elevado de associados não querendo novidades. A minha percepção estava certa: os sócios estavam fartos de tanta informação. O cliente estava comunicando em excesso e, consequentemente, mal. Foi preciso reestudar as formas e diminuir as frequências, cortar informativos desnecessários e pensar mais estrategicamente a comunicação. O processo ainda está em curso, mas o recado foi mais do que claro.

O neurocientista Daniel Levitin, autor do best-seller A música no seu cérebro, tem estudado a sobrecarga de informações, ou seja, a quantidade de notícias com que somos bombardeados e a capacidade que nosso cérebro tem para absorvê-las. Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Levitin declarou: “Todos os organismos vivos estão constantemente se adaptando ao meio ambiente, mas o genoma humano precisa de tempo para se adaptar. Para se ter ideia, em cerca de 30 anos, quintuplicou a quantidade de informação que recebemos a cada dia. Pense nisso como o equivalente a ler 175 jornais de ponta a ponta diariamente”. O especialista deu, ainda, outro exemplo, do tempo de nossos avós. “Eles tiveram que aprender a usar o telefone uma ou duas vezes – tiveram que fazer chamadas com a ajuda de telefonistas e, depois, aprenderam a discar. Hoje, os smartphones não param de mudar. Você troca de modelo e tem que aprender inúmeras funções, que daqui a poucos anos serão trocadas”, analisou.

Mas quais funções serão decoradas, mesmo que por pouco tempo? As essenciais! As demais serão rapidamente esquecidas. Se você não quer ser descartado, seja relevante. O excesso não funciona mais em nossos tempos. Quem não for estratégico e preciso na comunicação será descartável. Em uma sociedade hipercomunicativa, o menos é mais.

 

José Roberto Luchetti é jornalista e sócio da DOC Press; trabalhou nas emissoras Globo, Band e Rede Mulher, além da rádio Eldorado



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