Home care: um serviço em expansão

Reconhecida no Brasil desde 1990, o home care cresce no país, desafogando leitos de hospitais

Reconhecida no Brasil desde 1990, a assistência domiciliar cresce no país, desafogando leitos de hospitais

Como alternativa à internação, o home care, termo bastante utilizado para designar assistência médica domiciliar, vem ganhando adeptos no Brasil e no mundo. Talvez uma volta às origens da Medicina, com uma grande pitada de tecnologia moderna, o home care humaniza o tratamento do paciente ao passo que o leva para o seio familiar, com todo o suporte de equipes multidisciplinares de saúde: enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e, claro, médicos.

Atualmente, diversas empresas oferecem o serviço no Brasil. Especializadas, as clínicas de home care mantém equipamentos médicos e profissionais 24 horas nas residências dos pacientes. Essa alternativa ao tratamento oferecido em hospitais é sugerida em diferentes estudos, que confirmam os benefícios conseguidos quando o paciente se encontra em casa, perto dos que ama.

O cirurgião geral e vascular Ari Bolonhazi, que há 21 anos abandonou a cirurgia para dedicar-se à assistência domiciliar, concorda e ressalta algumas vantagens do serviço. “Além de trazer conforto e facilitar o acesso dos pacientes à atenção à saúde, o home care ajuda no uso adequado da estrutura da Saúde, trazendo benefícios ao indivíduo, que tem a possibilidade de complementar seu tratamento em domicílio. Para ele, é sempre melhor voltar para casa e ter o apoio da família, estar em um lugar conhecido. Assim, é possível entrar, de fato, em uma rotina mais próxima do normal, o que não é possível quando se está em um hospital”, avalia.

De acordo com Bolonhazi, o gasto para construir e manter um leito hospitalar é muito alto. “E, com frequência, esse leito acaba sendo ocupado por um paciente crônico, o que faz com que a demanda por serviços de saúde se acumule e retarde o tratamento de pacientes apenas por falta de vagas. Abreviar a permanência do paciente no hospital também ajuda a diminuir as chances de infecção hospitalar”, explica. Segundo o especialista, um hospital gasta, diariamente, mais de R$2.100 para manter um paciente internado. Já no serviço de home care, o valor gira em torno de R$1.350 por dia. “Para a fonte pagadora, seja o paciente particular ou a operadora de saúde, o tratamento perde custos quando a pessoa tem condições de receber atenção domiciliar, com toda a estrutura necessária, abreviando a saída do hospital”, complementa.

Regulamentação

O home care tem o propósito de promover, manter e/ou restaurar a saúde do paciente, dando espaço para sua independência, enquanto se minimizam as debilidades geradas pelas doenças. O serviço é respaldado pela lei 10.424/2002 e foi regulado em 1990, quando a assistência domiciliar entrou no rol do Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa regulamentação foi importante para que o tema pudesse ser compreendido no Brasil, pois contribuiu para o debate sobre a humanização da saúde e redução de custos operacionais de assistência na rede convencional. “A assistência domiciliar não é nova. Sempre brinco que é mais antiga do que a própria Medicina, porque antes de existirem os médicos, os pajés já atendiam os pacientes na moradia deles ou no local onde haviam se acidentado. Ainda assim, o home care é uma área que, há 20 anos, precisava ser desenvolvida no país, firmando conceitos, parâmetros e criando embasamento ético, profissional e legal”, ressalta Bolonhazi.



Categorias:Carreira Médica

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