Médico em domicílio à distância de um clique

Medicina a distância de um clique

 

Uma grande transformação está acontecendo em todos os setores da sociedade devido ao desenvolvimento cada vez mais rápido da tecnologia no século XXI. Em vez de ligar para uma cooperativa de táxi ou fazer sinal para algum táxi na rua, hoje, é possível solicitar um carro com poucos toques na tela de um aparelho celular, agilizando o serviço. De modo similar, a comunicação à distância é instantânea, pelo aplicativo WhatsApp e outros semelhantes; e o entretenimento é escolhido por demanda, como no Netflix, por exemplo. Era de se esperar que essa tendência migrasse também para a Medicina, por meio de aplicativos que têm aparecido no mercado, objetivando facilitar o encontro entre médicos e pacientes, desburocratizando tal relação e aproximando-a por meio da tecnologia.

Médico em casa por demanda

Em vigência nos Estados Unidos há algum tempo, em aplicativos como o Doctor on Demand –  que possibilita a visita domiciliar de um médico, pelo valor de US$40 – o serviço vem ganhando adeptos no Brasil e muitos médicos e pacientes têm descoberto suas possibilidades. Em funcionamento desde abril de 2016, o Beep Saúde veio ao mercado para empoderar o paciente, nas palavras de seu CEO e criador, Vander Corteze. “É uma alternativa aos pacientes, dando acesso, por meio do celular e de sua localização nele registrada, a uma lista dos médicos próximos, divididos por especialidade”, explica. “Você tem acesso à foto do médico, seu currículo, o valor cobrado e, pode chamá-lo para seu domicílio, encontrá-lo em seu consultório ou enviar-lhe para um lugar em que atendimento rápido seja necessário, ‘beepando-o’ para isso”.

Erroneamente, o serviço tem sido chamado de “uberização da saúde”, o que incomoda aos profissionais da área. “Enquanto o transporte pode ser feito por qualquer pessoa que tenha habilitação para dirigir, a Medicina exige uma relação mais monogâmica, entre médico e paciente, além dos anos de estudos e dedicação à Saúde”. Apesar de similaridades, a grande diferença entre os serviços é o fato de que, enquanto o Uber não dá escolha quanto ao motorista que busca o passageiro, no Beep, o paciente tem um rol de médicos que podem ser escolhidos de acordo com seu currículo e formação, preço e distância. É o formato do Market place. “A ideia do Beep não é ser o Uber dos médicos, mas sim utilizar a tecnologia para tornar o sistema de saúde mais eficiente”, pontua Vander.

O maior objetivo do aplicativo (e de outros similares disponíveis no mercado) é promover atendimento médico de qualidade e devolver ao paciente e ao médico o melhor uso do seu tempo. “Muitas pessoas chegam em casa após o trabalho e lembram que precisam ir ao médico, mas pela hora, já não conseguem mais marcar consulta. Com o Beep, essa pessoa pode escolher o médico que julgar adequado e, rapidamente, o profissional estará à disposição”, explica Vander. “Queremos estimular o paciente a procurar um bom médico no momento em que o sintoma aparece e não deixar que o problema de saúde se agrave”.

Para conquistar profissionais de qualidade, há um crivo que seleciona os médicos participantes. Dos 1.500 inscritos, desde o início do funcionamento do aplicativo, 850 atendem pelo Beep atualmente. Para manter a qualidade do serviço, há uma constante monitoração, realizada pelos pacientes que avaliam sua consulta em uma experiência como um todo. “Quando há algo diferente da avaliação máxima, entramos em contato com o paciente para descobrir o que aconteceu naquele atendimento. Dessa forma, monitoramos a experiência do paciente, visando seu bem-estar”, avalia Vander.

Para que o serviço se popularize no país, deve passar por um processo descrito pelo sociólogo, escritor e professor norte-americano Everett Rogers, o modelo da Curva da Difusão de Inovação, que descreve que os primeiros a utilizarem novos serviços são os entusiastas e inovadores (ou, na expressão em inglês, os early adopters, que adotam um serviço logo no início), seguidos posteriormente pelos pragmáticos e conservadores, que precisam ter certeza do funcionamento e benefícios do serviço.

Além do Beep Saúde, existem outros aplicativos com o mesmo objetivo no mercado, como o Docway, por exemplo. “A ideia do Docway surgiu a partir de pesquisas que apontam a baixa satisfação dos usuários, médicos e pacientes, dos sistemas públicos e privados. As razões vão desde a alta demanda, causa da demora no agendamento de consultas, que, por muitas vezes, são realizadas de forma rápida e superficial, tornando a relação médico-paciente impessoal”, afirma Fábio Tiepolo, CEO do Docway. Fundado em 2015, o serviço atende em mais de 40 cidades brasileiras, entre elas Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e São Paulo.

Segundo estudo da Juniper Research, o número de usuários de serviços de saúde em dispositivos móveis, no mundo, deve ultrapassar os 157 milhões em 2020, mais que triplicando o número de 2015, de 50 milhões. Outra pesquisa, realizada pela Accenture, revela que o uso de aplicativos de saúde, entre brasileiros, já chegou a 37%.



Categorias:Carreira Médica, Medicina & Tecnologia

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