Quanto vale sua clínica?

Existem vários modelos de avaliação de empresas, devendo sua escolha considerar o propósito da avaliação e as características próprias do empreendimento

Existem vários modelos de avaliação de empresas, devendo sua escolha considerar o propósito da avaliação e as características próprias do empreendimento

Para avaliar uma empresa, temos por objetivo alcançar o fair value ou “valor justo de mercado”, ou seja, aquele que representa, de modo equilibrado, a potencialidade econômica de determinada companhia. Entretanto, o preço do negócio só vai ser definido com base na interação entre as expectativas dos envolvidos no negócio (compradores, vendedores, proprietários, sócios entrantes). Não existe um “valor correto” para um negócio, muito pelo contrário, ele é determinado para um propósito específico, considerando as perspectivas dos interessados.

A definição do valor de um negócio deve considerar todos os bens (imóveis, equipamentos, imobiliários) os custos e benefícios associados à transação (operação da empresa), não se restringindo ao preço pago ou recebido. É recomendável, ainda, ter atenção para os seguintes fatores: dívidas assumidas, contratos com trabalhadores, administradores e médicos, obrigações tributárias, danos ambientais, estrutura organizacional e de pessoal e outros fatores que afetem seus resultados futuros.

Normalmente, a base de informações para coletar os itens citados acima parte dos números apresentados pelos fluxos de caixa, balanços e balancetes contábeis. Inclusive, também são considerados os aspectos gerenciais, exclusões e inclusões extra caixa, se existirem. Sugere-se, também, a emissão de certidões negativas junto aos órgãos competentes, se for o caso, e, principalmente, se houver alguma dúvida sobre dívidas e ônus.

Existem vários modelos de avaliação de empresas, devendo sua escolha considerar o propósito da avaliação e as características próprias do empreendimento. Eles podem ser classificados da seguinte forma:

  • Técnicas comparativas de mercado;
  • Técnicas baseadas em ativos e passivos contábeis; e
  • Técnicas baseadas no desconto de fluxos futuros de benefícios (geralmente caixa).

Cada uma dessas categorias compreende vários modelos. Para a análise cabe o grande desafio que consiste em escolher o mais apropriado e atentar para suas limitações.

Os modelos baseados no mercado procuram aferir o valor do empreendimento por meio da comparação com empresas similares transacionadas no mercado, método raramente utilizado para avaliação de empresas do segmento saúde.

Aqueles baseados em ativos e passivos contábeis visam alcançar o valor econômico do empreendimento, com base na conversão para o valor de mercado dos itens evidenciados nas demonstrações contábeis (bens e direitos).

Já os modelos que descontam os fluxos futuros de benefícios partem da premissa de que o valor da entidade deve ser aferido com base em sua potencialidade de crescimento e geração de riqueza. Esse é o modelo que mais me agrada e que, acredito, se aproxima muito da realidade do valor efetivo da instituição.

Veja, a seguir, alguns os modelos que considero adequados para valorizar clínicas e hospitais:

  • Modelo de avaliação patrimonial contábil;
  • Modelo de capitalização dos lucros;
  • Modelo de múltiplos do faturamento;
  • Modelo do fluxo de caixa descontado com fluxo de caixa livre na perpetuidade;
  • Modelo baseado no EVA.

Em situações em que a empresa demonstra bons índices de crescimentos anuais, a perspectiva de geração de riqueza é elevada e tende a maximizar o valor, mas se a empresa apresenta redução de faturamento e queda nos resultados, eventualmente pode levar a uma redução até mesmo em seus bens patrimoniais, pois demonstra que a instituição não está com perspectiva de perenidade, mas, pelo contrário, com tendências ao esgotamento. Nesses casos é mais recomendável avaliar considerando somente os bens, sem entrar no mérito do resultado, ou as perspectivas de geração de riqueza ou faturamento ou, mesmo, abordar o subjetivismo sobre o good will da empresa, (o valor de mercado ou clientela – pacientes – e operadoras credenciadas), a não ser que o investimento seja para alterar a perspectiva e levar a organização para o crescimento. Se for assim, o subjetivismo fica mais exacerbado.

Enfim, quanto vale sua empresa?

Eduardo Regonha é diretor executivo da XHL Consultoria; doutor em Ciências – Custos em Oftalmologia pela EPM-Unifesp; especialista em Administração Hospitalar pela FGV-SP. Atividades acadêmicas atuais: coordenador do curso de MBA em Administração Hospitalar pela Fundação Unimed e professor de Custos em Saúde



Categorias:Artigos, Gestão e Finanças

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