Tecnologia e empoderamento dos pacientes em debate

Tecnologia e empoderamento dos pacientes em debate

O maior volume de informações disponível facilita a vida das pessoas, por outro lado, este mesmo empoderamento pode aumentar o risco de automedicação

A quantidade cada vez maior de aplicativos e sistemas digitais disponíveis para que os usuários consigam monitorar e obter informações sobre a sua saúde é vista como motivo de comemoração e alerta, ao mesmo tempo. De acordo com relatório do IMS (Institute for Healthcare Informatics), atualmente existem mais de 165 mil aplicações disponíveis referentes à saúde do paciente.

Elas podem passar informações das mais diversas, como medir a pressão arterial de um indivíduo até indicar como uma fatia de bolo de chocolate pode impactar no índice glicêmico de um diabético, até o monitoramento constante de pacientes crônicos ou de indicadores específicos. Estima-se que um em cada cinco smartphones do mundo possua aplicativos ligados ao campo da saúde ativos, ou seja, sendo utilizados regularmente por seus usuários.

O maior volume de informações disponível facilita a vida das pessoas e garante certo empoderamento do paciente, que passa a depender menos do olhar de especialistas para tomar algumas decisões. Por outro lado, este mesmo empoderamento pode aumentar o risco de problemas relacionados à automedicação ou mesmo à interpretação equivocada e prematura de dados repassados pelos apps.

O relatório aponta que as primeiras aplicações lançadas no mercado tinham em sua maioria objetivos práticos e mais simples, como acompanhamento de uma dieta e de atividades físicas, monitoramento do sono e apelos motivacionais para manter-se em forma. Porém, com o avanço no desenvolvimento nesta área, é cada vez mais comum a oferta de sistemas que prometem orientar os seus usuários sobre o tratamento de diversos males até aqueles que conectam remotamente o paciente a um especialista.

Ao prometerem uma abordagem sobre questões mais complexas, estes apps podem incorrer em erros graves. “Se um sensor mal calibrado calcular erroneamente a quantidade de passos que o usuário deu durante o dia, isso será inofensivo para o paciente. Mas se um outro app focado em câncer de pelo interpretar errado determinados sintomas a partir de fotos que o usuário tira com o seu próprio celular, os resultados podem ser desastrosos”, explica o dr. Winston Ho, um dos coordenadores do estudo.



Categorias:Medicina & Tecnologia

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