Quem são os médicos da Geração Y?

De um universo de 419.224 médicos existentes no país, 126.334 encontram-se no grupo dos Millennials

De um universo de 419.224 médicos existentes no país, 126.334 encontram-se no grupo dos Millennials

O termo Geração Y surgiu nos Estados Unidos para designar o grupo de nascidos a partir dos anos de 1980 (atualmente, jovens na faixa etária dos 21 aos 35 anos). Ao contrário da geração anterior, chamada de Geração X, o grupo dos Y (também conhecido como “millennials”) nasceu praticamente ao mesmo tempo em que a computação pessoal e a entrada dos dispositivos eletrônicos na rotina das pessoas.

É, também, a geração que cresceu vendo o mundo passar por grandes quebras de paradigmas: a possibilidade de comunicação em tempo real e em qualquer parte do planeta, o fim dos principais regimes ditatoriais, o surgimento da Aids, o crescimento das preocupações com o meio ambiente e com a sustentabilidade, a estabilidade econômica do Brasil e a ausência de grandes conflitos mundiais.

De um universo de 419.224 médicos existentes no país, 126.334 encontram-se no grupo dos millennials, de acordo com dados do estudo Demografia Médica no Brasil 2015. Para a professora da faculdade IBS da Fundação Getúlio Vargas (IBS/FGV) e especialista em conflitos de gerações, Jacqueline Rezende, o maior desafio para esses jovens médicos está na maneira como eles enxergam suas carreiras e em como se adaptar à realidade do mercado. Além disso, ela defende que o sentimento de pertencimento desses profissionais seja melhor trabalhado no âmbito médico, uma vez que, sob sua ótica, a prática médica exige maior foco e determinação e maior desprendimento da sociedade capitalista, bem como o estabelecimento de metas.

“Os Millenials não veem a carreira exclusivamente como uma fonte de renda para sustentar a família. Eles buscam trabalhos que estejam conectados com o seu estilo de vida, valores e crenças e querem contribuir de volta para a sociedade, mas a sua maneira. O que vemos na prática médica é uma geração de cumprimento de horas, e não de causas. É preciso resgatar a essência da Medicina dentro desses jovens e fazê-los entender que não é somente uma forma de trabalho e remuneração, mas uma causa a ser bem trabalhada, pois trata-se da qualidade de vida, manutenção e, principalmente, a perpetuação da crença naqueles profissionais que exercem o cuidado sobre as pessoas”, ressalta.

No dia a dia, outros desafios surgem no caminho dos Millenials: lidar com pacientes de distintas gerações e, também, com os parceiros de profissão de diferentes faixas etárias. “Existe um conflito de gerações, sem a menor dúvida. As relações estão conturbadas pela diferença de pensamentos, pelo status que a Medicina sempre teve, o ego, a tecnologia etc. O maior objetivo é fazer com que todos esses profissionais trabalhem juntos e em conexões, com menos ‘eu sou o dono da verdade’ e mais ‘vamos pensar juntos, porque juntos somos mais’”, sustenta Jacqueline.

“Os millennials não veem a carreira exclusivamente como uma fonte de renda para sustentar a família. Eles buscam trabalhos que estejam conectados com o seu estilo de vida, valores e crenças e querem contribuir de volta para a sociedade, mas a sua maneira” – Jacqueline Rezende

A especialista acrescenta que diferentes gerações de médicos atuando em um mesmo ambiente de trabalho não deve ser um fator negativo, mas sim uma soma de experiências e fortalecimento das relações, exigindo uma postura mais “plural” e humana do profissional. “A geração Y deseja ser dona da sua história, da sua rotina e de suas escolhas – sendo reconhecida por isso –, mas precisa entender que não é possível chegar a esse patamar sem foco e dedicação e, claro, humanização”, encerra a especialista.



Categorias:Carreira Médica, Marketing Médico

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