O futuro da Medicina: o que esperar nos próximos 10 anos

O futuro da Medicina
Saiba como a tecnologia pode influenciar na medicina daqui a 10 anos

Neste artigo, Felipe Lourenço da iClinic, fala sobre o que podemos esperar da Medicina nos próximos anos e como se adaptar às mudanças.


Alguns dias atrás, estive frequentando diversos cursos em Harvard, com a temática de “Futuro da Medicina”. Os aprendizados foram fantásticos e casam bastante com fatos que já vínhamos enxergando, por atender milhares de clínicas todos os dias na iClinic e pelo contato com diversos Conselhos Médicos por meio de nossas parcerias estabelecidas. Trago esses aprendizados para que você consiga evitar que seja engolido por essa nova onda de mudanças e mais do que isso: para que você consiga surfar essa onda antes dos outros.

Basicamente, 3 fatores influenciarão o futuro da Medicina no Brasil:

  • o aumento drástico do número de cursos de Medicina, fazendo com que cresça o número de profissionais que serão lançados no mercado nos próximos cinco anos;
  • o sistema SUS com atendimento que não dá conta do volume demandado, somado ao aumento que já vem ocorrendo no número de grandes clínicas e clínicas populares, que cobrem os buracos do SUS;
  • por fim, o interesse por parte de fundos de investimento internacionais no setor de saúde do Brasil.

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Com esse cenário, há uma tendência de que, cada vez mais, as clínicas mais bem geridas ganhem mercado, garantindo uma marca mais forte perante à população. Para se ter uma ideia, recentemente o Dr. Consulta recebeu investimentos na ordem de R$ 300 milhões para sua expansão em território nacional.

Com o crescimento das clínicas, é esperado que cada vez mais elas forneçam uma gama de serviços em conjunto, visando a melhoria dos resultados e a facilidade para o paciente: Nutrição e Endocrinologia, exames, cirurgias, acompanhamento psicológico, entre outros, crescendo ainda mais, porque é muito mais prático para o paciente que tudo seja feito em um único lugar e com um tratamento mais integrado.

Com esse crescimento, é esperado que as clínicas se transformem em pequenos hospitais, sabendo que a incidência de impostos é extremamente menor e trazendo, assim, ainda mais vantagem competitiva.

Como há um volume muito grande de médicos se formando em Medicina nas mesmas cidades, acredita-se que seja inviável que todos abram um consultório, considerando o alto custo de montar um negócio e criar uma marca. Assim, provavelmente muitos terão que trabalhar para alguém, seja em um hospital ou em clínicas já existentes.

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Consequentemente, a tendência é que cada vez menos profissionais sejam “empreendedores”. Dessa forma, o salário médio dos médicos cairá, trazendo ainda mais força para esses grandes grupos de clínicas que se formarão.

Nessa “guerra” entre as clínicas e os profissionais que tentarão seguir o ramo empreendedor, existe um tripé fundamental para quem quiser surfar essa onda de mudanças: atração, gestão e fidelização de pacientes. A seguir, explico como você pode utilizá-los a seu favor.

Estratégias para alavancar seu futuro na Medicina:

Esse tripé é de extrema importância, porque, basicamente, garante os pontos mais importantes para manter uma clínica de sucesso:

  • ter sempre a agenda lotada de pacientes dispostos a serem atendidos pelo profissional ao preço que ele cobra (mantendo as contas sempre em dia);
  • garantir um ótimo atendimento com uma prática médica organizada e ágil
  • engajar esses pacientes para que eles sempre retornem e indiquem esse profissional para amigos e familiares, além de retornar para futuras consultas ou procedimentos, diminuindo os custos de manter a agenda cheia, o que traz ainda mais sucesso ao profissional.

Em termos de aquisição de pacientes, o profissional precisa estar presente de forma online, para que seja encontrado pelos pacientes que buscam por sua especialidade. O médico precisa entender que o paciente está buscando formas de encontrar a melhor solução para ele, e hoje a maioria das pessoas faz essa busca na internet.

Se o profissional aparece nos primeiros resultados do Google para vários tipos de buscas que os pacientes fazem, isso dá um sinal de autoridade. Além disso, se o paciente gosta do material presente no site do médico, ele pode compartilhar com amigos e familiares, gerando uma exposição ainda maior.

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Outro ponto é que a qualidade de atendimento estimula o “boca a boca”, o que é primordial para a melhoria da visibilidade do profissional no mercado. Para isso, o médico deve entender que é muito difícil que o paciente saiba se a consulta foi boa ou não, porque ele é leigo no assunto.

Por isso, ele vai buscar converter suas impressões dessa experiência ao que lhe é tangível, observando como é a estrutura física da clínica, o atendimento da recepção, a atenção do médico, a organização do local, a rapidez no atendimento, entre outros aspectos.

Também é fundamental a fidelização. É importante lembrar que não necessariamente o paciente satisfeito irá se fidelizar. Ele precisa retornar ao consultório com certa frequência e, para que isso ocorra, ele precisa se lembrar de voltar para o consultório ou clínica. Para que o paciente se lembre do profissional, é preciso criar o que chamamos de “gatilho”, ou seja, algum acontecimento que faça o profissional surgir na mente do paciente.

Isso pode envolver, por exemplo, a criação de uma Newsletter, na qual os pacientes possam se inscrever para receber atualizações de conteúdo escrito pelo médico. Sempre que o médico envia esse artigo para os pacientes via e-mail, ele faz com que o pacientes se lembrem dele e tenham um desejo maior de voltar para novas consultas ou para realizar novos procedimentos.

Duas ótimas formas de resolver essas questões são contratar uma consultoria de gestão, que levantará todos os gargalos de sua gestão e onde você pode evoluir, e/ou contratar um bom software médico, que vai permitir que você faça isso de forma automatizada.

Felipe Lourenço

Felipe Lourenço é CEO da iClinic, empresa de software médico em nuvem líder na América Latina; graduado em Informática Médica pela USP e especialista de Tecnologia em Gestão em Saúde, com passagens pelo mercado europeu e Vale do Silício e com mais 10 anos de experiência no setor

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