Como o mindfulness influencia na rotina do médico

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Para evitar síndromes e distúrbios, como o burnout, o médico pode buscar técnicas que promovam a saúde física e mental

A rotina no consultório pode ser bem exaustiva para o médico. Em alguns momentos, é comum passar do horário ou trabalhar em casa. Porém, nesse ritmo, a vida pode parecer um dia de trabalho sem fim. Segundo os dados da Demografia Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM), atualmente, um terço dos médicos brasileiros do Brasil se dizem sobrecarregados no trabalho.

O problema em comum entre profissionais de saúde é negligenciar a própria saúde em favor de sua rotina. E, para evitar o aparecimento de síndromes e obter uma melhor qualidade de vida, é preciso que os profissionais comecem a buscar ferramentas e estratégias que promovam a saúde física e mental.

Síndromes modernas

Entre as síndromes mais comuns desencadeadas pelo estresse, destaca-se a síndrome de burnout, que reúne características de esgotamento físico e mental e exaustão emocional. De acordo com o médico especialista em mindfulness Marcelo Demarzo, a síndrome de Burnout é muito comum entre profissionais de saúde, em especial médicos e enfermeiros, podendo variar sua prevalência entre 15% e 75%, dependendo do tipo de serviço e da especialidade, e isso pode gerar consequências maiores. “Com o tempo, o estresse gerado por essas síndromes pode associar-se a casos de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais, correlacionando-se também com casos de suicídio”, alerta.

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Como identificar essas síndromes?

De acordo com Demarzo, há alguns sintomas que podem ser identificados ao longo da rotina de trabalho, tais como:

– Sensação de esgotamento físico e emocional (exaustão);

– Irritabilidade;

– Dificuldade de concentração;

– Lapsos de memória;

– Baixa autoestima;

– Despersonalização (sensação de estranhamento consigo mesmo);

– Distanciamento em relação ao trabalho;

– Sensação de perda de eficácia nos resultados ou falta de realização profissional.

Além disso, também podem ocorrer manifestações físicas como cefaleia, sudorese excessiva, palpitação, hipertensão, dores musculares, insônia e distúrbios gastrintestinais, por exemplo.

Mindfulness: uma alternativa para o estresse

Em meio a esse cenário, surge o mindfulness, uma técnica que se caracteriza por um estado mental de concentração no presente, sem julgar os pensamentos que vagam pela mente. Na rotina do médico, essa técnica tem sido cada vez mais utilizada com o intuito de ajudá-los a gerenciar o estresse do dia a dia e consequentemente suas vidas pessoais.

Para Demarzo, a capacidade de direcionar a própria atenção é o fator mais importante dessa técnica, pois permite que as pessoas escolham no que vão prestar atenção, sem deixar a mente vazia. “Sem a autorregulação da atenção, uma pessoa não está no controle das escolhas ou decisões que pode fazer.

E a consciência das escolhas é o passo fundamental para que se tenha menos impulsividade. O mindfulness treina exatamente esse aspecto, a capacidade de regular ou direcionar conscientemente a atenção”, assegura.

O atendimento ao paciente também é diretamente influenciado por essa modalidade. “Os efeitos dos programas de mindfulness para profissionais são amplos e confirmados por estudos científicos, e todos estão relacionados à melhora do desempenho profissional e, consequentemente, no atendimento ao paciente: diminuição de sintomas de ansiedade, depressão e burnout, diminuição do absenteísmo (em especial das faltas no trabalho relacionadas ao estresse e suas consequências), melhora da empatia e da comunicação com colegas e pacientes, e melhora da qualidade de vida e bem-estar em geral”, afirma.

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Dica contra o estresse: exercite-se!

Devido à rotina corrida, o profissional acaba arranjando desculpas para não cuidar de sua saúde física e mental. Porém, há uma série de exercícios que podem ser realizados de forma rápida, no próprio consultório, que fazem parte do processo de relaxamento proposto pelo mindfulness. Para os iniciantes, Demarzo recomenda a prática de três passos ou três minutos de mindfulness. Cada passo representa uma pequena pausa no dia a dia e levam, em média, três minutos. Confira, abaixo, o passo a passo:

  1. Adotando uma posição confortável, sentado ou deitado, deixe o corpo se estabilizar na posição. Lentamente vá levando a atenção para o seu corpo, que pode incluir as sensações físicas (contato do corpo com o chão ou cadeira; temperatura da pele, possíveis desconfortos ou pontos de tensão), como também para a percepção de pensamentos ou emoções que eventualmente estejam presentes em sua experiência naquele momento;
  2. Gradualmente, comece a levar a atenção de modo um pouco mais focado para as sensações e movimentos da respiração, como os movimentos do tórax e do abdome na inspiração e expiração do ar; ou ainda a sensação do ar entrando e saindo pelas narinas durante a respiração. É importante seguir o fluxo natural da respiração, sem tentar alterá-lo, apenas observando-o. Faça isso por algumas respirações;
  3. Antes de encerrar a sessão, traga novamente a atenção e a observação para as sensações em todo o corpo naquele momento, podendo incluir também a percepção do local onde você está, como os sons e a temperatura do lugar. Gradualmente termine a prática, voltando a abrir os olhos.


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