Finanças Médicas: Novo modelo para tomada de decisão

Saiba como as informações certas podem influenciar na tomada de decisões em suas Finanças Médicas.
Saiba como as informações certas podem influenciar na tomada de decisões em suas Finanças Médicas. (Foto: Internet/Reprodução)

Não é novidade que o setor da Saúde passa por um momento de fortes transformações. Novos desafios aparecem a cada dia: incentivos à atenção primária à Saúde, novos formatos de remuneração, discussões sobre saúde baseada em valor, dentre outras medidas. Mas a grande diferença é que, agora, as mudanças estão ocorrendo de fato.

E diante desse novo cenário, não existe mais espaço para sequer pensar em uma gestão desprovida de profissionalismo. A necessidade de informações confiáveis para tomada de decisões seguras tornou-se um imperativo dos dias atuais – a melhoria dos padrões de gestão, por meio de um sistema de informações gerenciais, e o conhecimento dos custos dos serviços tornaram-se bases imprescindíveis para o sucesso da empresa e, muitas vezes, da própria sobrevivência.

Estamos diante de fatos inusitados, em que as negociações passam a ser direcionadas para a qualidade do atendimento e não mais na quantidade. As operadoras passam a negociar com os prestadores de serviços por meio de novos modelos, com foco na resolutividade, exigindo de ambas as partes uma nova forma de pensar e de negociar.

Uma das discussões de maior frequência diz respeito à necessidade de impor maior consistência conceitual na formulação de preços e no estabelecimento de relações de negociação entre prestadores e tomadores de serviços compatíveis com o grau de profissionalismo que um mercado competitivo exige. Os mecanismos tradicionais de negociação já não funcionam mais, o momento exige ousadia, com uma pitada de risco, porém as decisões devem ser alicerçadas em informações confiáveis – afinal, até quando vamos negociar sem conhecer os verdadeiros custos dos serviços? Está mais do que na hora de as clínicas conhecerem o custo de um consultório, de um exame ou, até mesmo, de um equipamento parado ou com pouco uso.

As negociações passam a ser totalmente diferentes do modelo tradicional. As tabelas de preços atuais estão sendo substituídas por outros formatos de negociação, que consideram o desfecho clínico, adoção de metodologias, como o Diagnosis Related Groups (DRG), o orçamento ajustado, dentre outros tipos que vêm surgindo como opções aos atuais. Mas um ponto é consenso por todos os atores envolvidos: a informação de custos é fundamental para qualquer modelo de negociação que seja adotado.

Alguns efeitos são esperados das informações de custo, como:

  • Estabelecimento de preços adequados;
  • Mensuração dos custos com “retrabalhos”;
  • Identificação de serviços e clientes mais lucrativos;
  • Avaliação dos custos fixos e variáveis;
  • Definição do ponto de equilíbrio, dentre outros.

Porém, para que esses efeitos ocorram, é de extrema importância que a direção da instituição esteja plenamente convencida da necessidade da informação.  Urge a necessidade de adequação da organização com um sistema de informações compatíveis com as novas condições impostas pelo mercado – a constituição de informações de custos dos insumos compreendidos nos tratamentos e a geração de parâmetros de referência médica são dados que já deveriam estar fluindo de forma rotineira nas instituições.

Cabe à instituição avaliar, junto à operadora, qual é o modelo a ser adotado, que seja adequado e bom para os dois lados. E acaba sendo inerente à instituição a necessidade da adoção de uma metodologia que propicie informações confiáveis durante todas as fases do processo. No que diz respeito a custo, existem diversas opções de ferramentas para apuração dos dados. Porém o mais importante é adotar a cultura de custos na instituição e usar a informação de custos para controle, gerenciamento e tomada de decisão, com confiança e credibilidade.

Completando o cenário descrito acima, temos, ainda, um mercado em crescente competitividade, que não permite demora nas decisões. Pois bem! Esse é o retrato da área nos tempos atuais, um momento de grandes desafios, que exigem perspicácia e atitudes inovadoras.


Eduardo Regonha é diretor-executivo da XHL Consultoria; doutor em Ciências – Custos em Oftalmologia, Atividades Acadêmicas Desenvolvidas; coordenador do Curso da MBA em Administração Hospitalar, pela Faculdade Unimed.



Categorias:Artigos, Gestão e Finanças

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